quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Oque é que a criança precisa saber?

Texto retirado do livro “Vivendo, amando e aprendendo”, de Leo Buscaglia, da Editora Nova Era.

Gostaria de partilhar com vocês algumas das coisas que considero essenciais para fazermos as crianças saberem. A primeira coisa é começar bem cedo a fazer as crianças conhecerem suas maravilhosas minas de ouro da imaginação, que são só delas. Temos de convencê-las de que, em toda a criação, elas são as únicas “elas”. Acho que alguns de nós nos esquecemos disso.

Uma das coisas sobre a nossa sociedade, eu acho, é que nos sentimos mais à vontade quando podemos colocar todo mundo num molde. Vocês não devem ser moldados! Vejam os rostos das crianças. Nunca vi dois que fossem iguais, nem de longe, e gosto disso. Gosto de pensar que elas são aquela combinação que nunca mais tornará a acontecer na história das criaturas humanas. Quando a gente sente isso, sente um pouco de orgulho. E no que diz respeito ao significado implícito nisso, vocês acham que elas estão aqui à toa? Toda essa singularidade é delas à toa? Sabe, gosto de ver o mundo como uma tapeçaria gigantesca, e cada um de nós tendo a responsabilidade de preencher um setorzinho, e, se não assumirmos essa responsabilidade e realizarmos essa responsabilidade, essa tapeçaria será sempre menos do que poderia ter sido e nós estaremos pior por isso. Não quero que você seja eu. Deus sabe que basta um “eu”. Nem gosto do conceito de “Acompanhe o Guru”. Se você quiser perder você, siga-me. Quando você me segue, isso o leva a mim, e você vai se perder! Meu conceito é "siga você", pois, quando você segue você e alcança aquela essência de você, e eu alcanço essa essência de mim, então, um dia, nós nos tornaremos um, e não alienados um do outro.
Então, temos que ensinar às crianças que elas são singulares, em todo o mundo. Temos de mostrar-lhes que elas sempre serão as melhores elas. E isso é difícil, pois custamos a acreditar nisso. Ninguém nos vê, nem nos toca.
Temos que fazer as crianças compreenderem que ela não só tem essa singularidade incrível, como ainda têm uma coisa de que às vezes nos esquecemos. Elas são, também, a potencialidade. São muito mais “não descobertas” do que descobertas. Não importa onde estejam, estão apenas começando e a grande e mágica viagem da vida está desencavando tudo e descobrindo o você maravilhoso.
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Acho que, se eu pudesse ter um único desejo na vida, seria devolver você a você. Não em termos de egocentrismo, mas em termos do fato de que você sabe que pode tornar essa pessoa – você – a pessoa mais maravilhosa, mais notável, mais franca, mais bela, mais criativa do mundo. Não para guardar, mas para dar, pois você só pode dar aos outros aquilo que possui. Se você é ignorante, ensina a sua ignorância; portanto, tem que trabalhar para sua sabedoria. Se você estiver acorrentado, ensinará o seu preconceito e, portanto, tem que trabalhar pela sua liberdade pessoal. Tudo parte de você. Se eu faço alguma coisa por mim, faço-o por você. Quanto mais próximo eu chego de me amar, mais amor terei para lhe dar. Acho que temos que dizer isso muito cedo às crianças.
Depois, acho que temos que dizer às crianças que também há outros presentes.
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A última coisa que quero partilhar com as crianças é que a vida não é só dor, sofrimento e desespero, conforme se ouve no noticiário das 19:00 e se lê nos jornais. Essas são as coisas
que são notícia. O que não ouvimos são as coisas maravilhosas, divertidas, grandiosas e fantásticas que também estão acontecendo. De algum modo temos que transmitir isso também às crianças. Para poder fazer isso, você terá que se pôr em contato novamente com a sua própria alegria e loucura. Estamos todos loucos! E, se você não acredita, é mais louco do que a maioria. O tédio provém da rotina. A alegria, o assombro, o êxtase surgem da surpresa. ... Podemos escolher. Temos opções. Você pode escolher como deseja viver a sua vida. Pode escolher a alegria, a liberdade, a criatividade, a surpresa, ou a apatia e o tédio. Epode fazer essa escolha agora mesmo!
Isso é uma coisa de que realmente gosto e resume tudo. Foi escrito por Frederick Molfett, do Bureau of Instructional Supervision, New York Departament of Education (Escrit6rio de Supervisão Instrucional, Secretaria de Educação de Nova York). Ele o intitula de "Como a Criança Aprende".

Assim é que a criança aprende, captando as habilidades pelos dedos das mãos e dos pés, para dentro de si. Absorvendo hábitos e atitudes dos que a rodeiam, empurrando e puxando o seu próprio mundo. Assim a criança aprende, mais por experiência do que por erro, mais por prazer do que pelo sofrimento, mais pela experiência do que pela sugestão e a dissertação, e mais por sugestão do que por direção. E assim a criança aprende pela afeição, pelo amor, pela paciência, pela compreensão, por pertencer, por fazer e por ser. Dia a dia a criança passa a saber um pouco do que você sabe, um pouco mais do que você pensa e entende. Aquilo que você sonha e crê é, na verdade, o que essa criança está-se tornando. Se você percebe confusa ou claramente, se pensa nebulosa ou agudamente, se acredita tola ou sabiamente, se sonha sonhos sem graça ou dourados, se você mente ou diz a verdade, é assim que a criança aprende.

Temos de dizer às crianças que elas têm a escolha de se tornarem entusiastas ou perdedoras. Pois não encontrar o amor é não encontrar a vida. Diz Thorton Wilder: "Há a terra dos vivos e a terra dos mortos, e a ponte é o amor. A única sobrevivência e o único significado."
Contemos isso às crianças!

Leo Buscaglia

Texto retirado do livro “Vivendo, amando e aprendendo”, de Leo Buscaglia, da Editora Nova Era.
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